Falta de kit para realização de exame que faz o diagnóstico de Leishmaniose preocupa família de fortalezense.

Já pensou em aguardar um resultado de exame de sangue, e ser informado de que o exame não foi feito por falta de material? É um drama que ninguém quer passar, não é verdade? Quem sentiu na pele essa situação foi o Marcos Pavel, que procurou o jornalismo da FM Dom Bosco, neste domingo (25/08) para fazer uma denúncia. Ele conta que seu tio, Antônio Soares Ribeiro está internado na Santa Casa de Misericórdia, em Fortaleza. Foi solicitado ao Hospital São José um exame de sangue para confirmar ou descartar o diagnóstico de Leishmaniose (calazar) no paciente. De acordo com Marcos, o material colhido foi devolvido pelo Hospital São José à Santa Casa por falta de kit para a análise do sangue.

Ainda segundo o ouvinte, chegou a informação de que não houve repasse de recursos por parte do governo federal, por isso, não foi possível fazer a análise do material. Ele disse que a família não pode mais esperar.

O presidente da Comissão de Saúde da OAB Ceará, Ricardo Madeiro explica quais as consequências jurídicas de casos como esse.

A produção entrou em contato nesta segunda-feira (26/08), primeiramente com a Secretaria de Saúde do Estado, que direcionou a reclamação para o Hospital São José. Depois, a assessoria do hospital São José repassou novamente para a SESA, que através de nota informou que a aquisição de testes rápidos para a leishmaniose é feita pelo Ministério da Saúde. Ainda segundo nota, o Hospital São José (HSJ), da rede do Governo do Ceará, realiza normalmente outros exames de diagnóstico para leishmaniose.  O mielograma com pesquisa direta para leishmaniose visceral é feito no laboratório do hospital. Há ainda a sorologia para a doença. Neste caso, o material é colhido no HSJ e enviado para análise no Laboratório Central (Lacen). Qualquer dos dois tipos de exame citados pode ser solicitado pelo médico do paciente.

Também por meio de nota, o Ministério da Saúde afirmou que os repasses estão em dia para todo o brasil. E reforçou que a pasta não repassa recursos diretamente para unidades de saúde.  Os estados e municípios recebem incentivos e valores para custeio de procedimentos ambulatoriais e hospitalares, como exames, remédios, materiais e cirurgias realizadas em ambulatórios e hospitais. Ainda de acordo com a nota, esse recurso é enviado mensalmente para os fundos estaduais e municipais de saúde que, por sua vez, repassam aos estabelecimentos de saúde.

A família do senhor Antônio Soares Ribeiro resolveu fazer o exame pela rede privada, tendo em vista a demora de uma solução pela rede pública de saúde. Os familiares devem ingressar com pedido de indenização junto à Defensoria Pública do Ceará.

SAIBA MAIS:

O que é Leishmaniose Visceral?
A Leishmaniose Visceral (LV) é uma doença causada por um protozoário da espécie Leishmania chagasi. O ciclo evolutivo apresenta duas formas: amastigota, que é obrigatoriamente parasita intracelular em mamíferos, e promastigota, presente no tubo digestivo do inseto transmissor. É conhecida como calazar, esplenomegalia tropical e febre dundun.

A Leishmaniose Visceral é uma zoonose de evolução crônica, com acometimento sistêmico e, se não tratada, pode levar a óbito até 90% dos casos. É transmitida ao homem pela picada de fêmeas do inseto vetor infectado, denominado flebotomíneo e conhecido popularmente como mosquito palha, asa-dura, tatuquiras, birigui, dentre outros. No Brasil, a principal espécie responsável pela transmissão é a Lutzomyia longipalpis.

Quais são os sintomas da Leishmaniose Visceral?
A Leishmaniose Visceral é uma doença infecciosa sistêmica. Os principais sintomas da doença são:

febre de longa duração;
aumento do fígado e baço;
perda de peso;
fraqueza;
redução da força muscular;
anemia.