Pesquisa revela que endividamento estabiliza e inadimplência sofre queda no mês de junho

Dados da Pesquisa do Endividamento do Consumidor de Fortaleza, realizada em junho de 2020, revelam que 74,7% dos consumidores da capital cearense possuem algum tipo de dívida. O valor é o mesmo do mês de maio. Em comparação a junho de 2019, houve um aumento de 18,1 pontos percentuais. Enquanto isso, a taxa de inadimplência recuou em comparação ao mês anterior, chegando a 13,9%. A pesquisa é realizada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC) da Fecomércio-Ce.

De acordo com o levantamento, os homens apresentam índices de endividamento mais elevados (77,5%); e pessoas na faixa etária de 25 a 34 anos (83,6%), com escolaridade de nível fundamental (78,7%), e com nível de renda menor que cinco salários mínimos (77,3%).

Inadimplência

Já os consumidores que não terão condições de pagar suas dívidas, os chamados inadimplentes, são 13,9% neste mês, conforme a pesquisa. Comparado ao mês de maio, essa taxa apresentou uma queda de 0,7 pontos percentuais.

A inadimplência é maior entre os consumidores com renda familiar menor que cinco salários mínimos, predomínio do sexo masculino, com faixa etária entre 25 a 34 anos e nível de educação fundamental. O principal motivo das dívidas em atraso é a inexistência de controle de rendimentos /gastos.

Dívidas em atraso

Já os consumidores com dívidas em atraso apresentaram um recuo   no mês de junho de -1,1 pontos percentuais em relação ao mês de maio (27,1%) chegando a 26,0%. O trimestre de abril a junho deste ano, mostrou uma oscilação dos consumidores com dívida em atraso contribuindo para uma média trimestral de 26,1%. 

Segundo a pesquisa, uma das causas principais quanto às dívidas em atraso é o adiamento dos pagamentos, transferindo esse valor para outras finalidades, segundo 60,6% dos entrevistados. O estudo aponta ainda que 33,5% dos entrevistados possuem dívidas em atraso acima de 90 dias.

Esse contexto contribui para um desequilíbrio financeiro nas contas pessoais, e tem como causa principal a falta de planejamento orçamentário, conforme 47,6% dos consumidores, os quais alegaram que não fizeram orçamento e controle dos rendimentos e gastos, ou se fizeram, foi de modo ineficaz; seguido da redução dos rendimentos (26,9%); aumento de gastos essenciais ou surgimento de novas necessidades (24,7%), desemprego (23,1%), dentre outros.

Comprometimento de renda

Neste mês, 41,9% dos consumidores afirmam estar com a sua renda comprometida para pagamento de dívidas. A taxa é a maior no período de 12 meses. O tempo médio em que uma família compromete a renda familiar para pagamento de dívidas gira em torno de sete meses, mas de acordo com a pesquisa, o período acima de 90 dias predominou com 33,5% dos consumidores que possuem a sua renda comprometida para efetuar o pagamento de dívidas futuras.

Os itens mais comprados a prazo são: segmento de alimentação, resposta de 53,4% dos consumidores; seguido de educação (32,3%); e tratamento de saúde (25,6%). O consumo de bens duráveis comprados a prazo tem como destaque os eletrodomésticos (19,9%); automóveis (16,6%) e eletroeletrônicos (14,8%).

A forma predominante da compra a prazo é o cartão de crédito, resposta de 80,3% dos entrevistados. Quanto aos tipos de despesas que mais pesaram as dívidas dos consumidores são os gastos com alimentação (52,6%); educação (20,8%); automóvel (12,6%); aluguel residencial (12,6%) e tratamento de saúde (12,2%).

 

Imagem de capa: ilustrativa

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