“É preciso ficar alerta às sequelas que ficam após infecção”, diz imunologista sobre Síndrome pós-Covid

Por Roberta Farias   |    26 abr 2021

A alta hospitalar por Covid-19 nem sempre é sinônimo do fim de problemas causados pela Covid-19. Em todo mundo, pesquisadores se debruçam nas sequelas que surgem após a resolução do quadro agudo de infecção pelo SARS-CoV-2, a chamada “Síndrome pós-Covid”. Esses sintomas podem aparecer meses depois da recuperação do paciente e variam de manifestações dermatológicas a distúrbios cardíacos ou ainda alterações neurológicas, como perda de olfato e fadiga prolongada.

Para o médico imunologista do Laboratório Mikros, Tadeu Sobreira, a recuperação da doença é muito variável, desde casos leves com uma a duas semanas até casos graves de longa internação hospitalar. “É preciso ficar alerta às manifestações do corpo após a infecção. Os sintomas são variados e podem afetar tanto a questão física como cognitiva e psicológica do paciente”, diz o especialista. 

Segundo um trabalho publicado na revista científica Lancet mostrou que cerca de 75% dos pacientes que sofreram internação hospitalar por COVID-19 apresentavam pelo menos um sintoma após 6 meses. O estudo foi realizado por cientistas de diversos institutos de pesquisa chineses publicado em janeiro deste ano. Entre 7 de janeiro e 29 de maio de 2020, a pesquisa acompanhou 1.733 pacientes que receberam alta do Hospital Jin Yin-tan, em Wuhan, na China. Para a análise, foram realizadas entrevistas para avaliar a qualidade de vida pós-infecção pelo novo coronavírus, além de exames físicos e testes de laboratório nos participantes.

Os sintomas mais comuns são fadiga crônica, dores musculares e articulares, dor de cabeça, tosse crônica, dificuldade respiratória, perda prolongada do paladar e do olfato e perda do apetite. “Algumas pessoas desenvolvem disfunção cognitiva ou perda de memória que afeta a sua vida cotidiana e a capacidade de tomar decisões ou seguir orientações ou, por exemplo, voltar a dirigir carro”, alerta o médico Tadeu Sobreira. Logo, a retomada à vida normal do paciente, sem esquecer os cuidados de prevenção ao vírus a fim de evitar outras complicações, torna-se mais demorada e a atenção estendida.

 

Recuperação das sequelas

Não existe ainda um tratamento direcionado para as sequelas da Covid-19. Os sintomas são tratados de acordo com a sua intensidade e, em alguns casos, é preciso de reabilitação. Para o médico Tadeu Sobreira, as atividades devem ser retomadas aos poucos, sem muito esforço, e ficar atento à intensidade dos desconfortos. “Caso os sintomas sejam intensos a ponto de interferir no dia a dia do paciente, como tonturas, falta de ar ou desmaios, pode ser um indicativo de que o pulmão e o coração ainda requerem atenção, podendo necessitar também de tratamento fisioterápico. Assim, o paciente pode ser encaminhado à programas de reabilitação pulmonar e cardiovascular”, finaliza o especialista.

Por Rebeca Quirino

*Imagem de capa: Internet

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